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Por Gonçalo Duarte Gomes
Nos últimos dias vimo-nos mergulhados no universo da série cinematográfica Mad Max: um mundo distópico, pós-apocalíptico, em que as estruturas sociais colapsaram a par do modelo de consumo, e as fontes de energia, com o petróleo e seus derivados à cabeça, são disputados à facada e ao tiro. Neste cenário de selvajaria, as débeis estruturas de Governo reagem como podem e, quase instintivamente, protegem-se a si e aos seus interesses mais próximos, abandonando todo um vasto território à sua sorte. Um épico, portanto. No entanto, se a adaptação portuguesa a este universo foi, em geral, muito semelhante ao segundo filme da sequela, já a versão algarvia assemelhou-se muito ao primeiro: uma produção de baixo orçamento, que até gerou uma receita jeitosa, bem como um seguimento de culto, mas que olhada com mais atenção, está repleta de falhas. Tornar-se-á boa, de tão má que é?
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Por Luís Coelho
No passado dia 07 de Abril li com estupefação uma notícia publicada pelo Sul Informação na qual se dava nota de que o CDS-PP decidiu indicar o João Rebelo como cabeça de lista pelo Algarve nas próximas legislativas de Outubro. Por Patrícia de Jesus Palma Por Gonçalo Duarte Gomes
Alguns historiadores apontam com curiosidade para o facto de, por volta de 200 a.C., alguns cultos revivalistas da mitologia Grega terem começado a proliferar em Roma, sem o filtro adaptador do panteão romano. Nessa onda retro, ter-se-á enquadrado o culto de Cybele, cujo principal núcleo – ou foco original – se localizaria em torno do monte Vaticano. Cybele era vista como uma espécie de Mãe Natureza, uma vez que teria originado toda a Vida, mesmo a divina, sendo inclusivamente considerada a mãe dos restantes deuses. Como isso de gerar toda a Vida é coisa cansativa, e até uma deusa precisa de distrações, Cybele tinha um amante, o deus Attis, rapaz ligado à vegetação e aos seus eternos ciclos de renascimento. Certo dia, Attis terá sido malandreco, e traiu a deusa com uma ninfa mais atrevida, provocando a mais que compreensível ira de Cybele. Como castigo, Attis foi levado pela deusa a cortar a sua própria genitália, morrendo mais tarde em consequência dessa mutilação. Mais tarde, e com o seu ponto de vista perfeitamente demonstrado, Cybele devolveu a vida ao amante, mas sob juras de fidelidade eterna, que depois da casa arrombada, trancas à porta. Todo este autêntico filme capaz de fazer as delícias de Neto de Moura terá decorrido logo após o equinócio de Março, que marca o fim do Inverno. Por isso mesmo, o mito de Attis assenta na sua morte a cada solstício de Inverno, altura em que Cybele inicia um pranto sobre toda a sua criação, que dura até à Primavera, altura em que o seu amado ressuscita novamente, para que juntos desfrutem da fertilidade e intensidade das épocas mais quentes do ano (pelo menos no hemisfério Norte). Ora Attis era também alvo de culto, não apenas pelos seus poderes divinos, mas também pelo seu consórcio com Cybele, e a dramática história de amor apache que o caracterizou. Como parte desse culto, seria celebrada uma festividade que teria início numa Sexta-feira, e culminaria três dias depois, altura em todos rejubilariam pela ressurreição. Um outro pormenor interessante é o facto de, supostamente, Attis ter nascido do ventre de uma virgem, numa data localizável no vigésimo quinto dia de um mês de Dezembro. Não posso afiançar a fiabilidade de tais teorias, mas, numa altura em que nos aproximamos de forma galopante do frenesim pascal, não consigo afastar a sensação de já ter ouvido contar uma história parecida... Por Luisa Salazar (2 minutos de leitura)
Muito se fala de eventos que movem multidões e que têm bilhetes de entrada a preços exorbitantes para o salário médio da maioria dos portugueses e algarvios! Eis que existe um evento muito interessante para profissionais de Recursos Humanos, CEO’s, CVO’s, CFO’s e mais outros CXX’s que deviam sem sombra de dúvida participar. Este evento é na realidade para as empresas que se preocupam com as SUAS pessoas e gostam que a sua empresa participe e esteja a par das tendências, assim como das melhores e mais actuais práticas de Recursos Humanos. De entrada gratuita (se é de borla não deve ser bom!?!) no Estoril (pelo sitio já subiu uns pontos?!?!) e que reúne uma vasta gama de empresas que entram como patrocinadoras e permitem a que cada profissional ou “curioso” vá assistir a um infindável número de palestras e possam directamente, também, consultar os stands da exposição podendo contactar com o que de melhor se faz de RH em Portugal. Além da sessão de encerramento ter sido uma conversa com o actor Joaquim de Almeida, durante os dois dias do evento participaram cerca de 80 oradores de startups, pequenas empresas nacionais, grandes empresas nacionais, multinacionais, unicónios e afins! Muitas ideias novas foram partilhadas!!! Vou apenas deixar uns breves conceitos para aguçar o apetite:
Deixo aqui uma sugestão para a organização deste evento: “Para quando uma EXPO RH no Algarve? READY to DARE?” Por Sara Luz
O tempo é de tal forma efémero e o cansaço excessivo que o resultado do artigo de hoje só poderia ser pouco digno de se ler. Ainda assim, e porque a temática e os oradores merecem o destaque, partilho o evento “A importância da Saúde na Economia do Algarve”, a ter lugar na Faculdade de Economia da Universidade do Algarve, no dia 09 de abril. É certamente um evento merecedor de presença e tema de futura reflexão neste Lugar ao Sul. Por Patrícia de Jesus PalmaLá para Setembro, assinalam-se os 500 anos do início da primeira circum-navegação da Terra, comandada por Fernão de Magalhães: o tal português que deu a volta ao mundo a expensas dos espanhóis, isto é, ciência portuguesa com dinheiro espanhol.
Folgo que, tal como nessa altura, se tenha instalado a polémica com os nossos vizinhos espanhóis, o que na verdade só reforça a verosimilhança do programa comemorativo. O que me desaponta é esta tendência secular para, como no provérbio chinês, não se ver o céu que o sábio aponta e fixarmo-nos no dedo que aponta. Ai, a obstinação com o dedo que aponta!… (É um bom tema a desenvolver para o campo pseudocultural). Por falar em dedo que aponta, vale a pena apontar uma visita à Biblioteca Nacional de Portugal, comissariada por Rui Loureiro, para conhecer os livros e os mapas com que Magalhães terá planeado a viagem. «Em demanda da biblioteca de Fernão de Magalhães» está patente até 13.5.2019 na sala de exposições do piso 3. É uma excelente oportunidade para pôr os olhos no raríssimo Almanach Perpetuum de 1496. Magalhães viria a falecer em Abril de 1521, aos 41 anos e, por ser hoje 1 de Abril, lembrei-me desta e de outras estórias da história de Portugal, que João Ferreira, historiador e jornalista, escreveu e compilou em Histórias Rocambolescas da História de Portugal, com a chancela d’ A Esfera dos Livros. Abre com o capítulo «Milagres, Mitos e Mentiras» e não falta a «Escola de Sagres: um mito que fez a escola». São factos históricos insólitos, mitos, falsidades e falsificações (as fake news há muito que estão na ordem do dia), inverosimilhanças, heróis, vilões, intrigas, escândalos que formaram Portugal e que seriam um êxito de bilheteira nos cinemas, como escreve Ferreira Fernandes no prefácio ao livro: «É que na nossa História pode ter faltado muita coisa. Ela é, aliás, uma sucessão de ausências. Faltou o individualismo protestante, a altivez castelhana, a queda alemã para a música e a inglesa para a democracia. Mundializámos o planeta mas logo cedemos a patente, deixámos fugir entre os dedos um imigrante de luxo (Colombro), já para não falar da nata dos nossos técnicos da primeira das indústrias de ponta (os lapidadores judeus) – falhas que conduziram nos tempos recentes, a não termos sabido, para comparar com uma Finlândia do nosso tamanho, organizar a globalização do Nokia. Seja. Mas histórias picantes, brutais e manhosas nunca nos faltaram. Que esperamos para recompilar – e retocar, publiquem-se as lendas, se elas são interessantes – essa indústria de tramas que nunca nos falhou? E se realizadores nacionais não tiverem unhas, pensemos à finlandesa, pesquisemos o património histórico (de histórias) com olhos postos em Hollywood e até Bollywood, já que não somos virgens nisso de chegar à Índia.» Enquanto as não podemos ver no grande écran, joguemos a mão a este livro de História com gente de carne e osso, que nos diverte e faz pensar. Por Gonçalo Duarte Gomes Cumprem-se hoje 111 anos sobre a 1ª edição do jornal “O Algarve”, disponível para consulta na hemeroteca digital… da Câmara Municipal de Lisboa. Assinalo esta efeméride com um excerto do “Nós” que se apresentou, em jeito de editorial, e de onde se empresta, de resto, a expressão que dá título a este texto: Mais um humilde combatente n’este pelejar do interesse publico, em que se debatem tantos campeões, assenta hoje inscripção, sob a denominação “O Algarve”, perante os nossos comprovicianos, a quem dedicamos, e só a elles, o trabalho que vamos empreender. 111 anos volvidos e, mutatis mutandis, quase tudo poderia ser escrito hoje. No Algarve e no País. Hoje o Lugar ao Sul tem como convidado Juan Pablo Rodrigues Correia. Licenciado em Informática – Ramo tecnológico e Mestre em Gestão Empresarial pela Universidade do Algarve. Atualmente é responsável pela coordenação comercial do grupo Algardata, onde coordena o negócio no âmbito nacional e internacional. É também Professor Assistente Convidado na Faculdade de Economia da Universidade do Algarve para as disciplinas de Estratégia e Planeamento Empresarial e Métodos de Decisão. Tem como interesses a tecnologia, sobretudo a componente de Análise de Dados e Machine Learning, desporto e leitura. E, claro, é sócio do SPORTING! Muito recentemente, a ANI (Agência Nacional de Inovação), entidade a quem a CCRD Algarve recorre para analisar candidaturas de projetos de inovação, chumbou uma série de projetos propostos por empresas Algarvias, por considerar os projetos “não inovadores” ou por considerar que a empresa não reúne as condições (inovação, capital, etc.) para poder realizar o projeto a que se candidata.
Para referência, alguns números (apenas de projetos submetidos pelo CRIA): No programa QREN, o número de projetos submetidos à medida de Sistema de Incentivos à Investigação e ao Desenvolvimento Tecnológico, foram 25, com 88% de taxa de aprovação (22 projetos). Neste programa, a “peritagem” foi realizada pela ADI, antiga Agência De Inovação, entidade que deu origem à ANI, ou seja, basicamente, a mesma entidade. O número de projetos submetidos à medida de Sistema de Incentivos à Investigação e ao Desenvolvimento Tecnológico, no âmbito do Portugal 2020, o programa em vigor, foi de 59, um crescimento muito significativo em relação ao programa anterior. No entanto, o número de projetos aprovados foi de apenas 21, i.e. 35,6% do total. Ou seja, houve mais candidaturas de inovação mas houve menos aprovação de projetos do que no quadro anterior em volume e uma redução dramática em percentagem (de 88% para 35,5%). É pois imperativo colocar uma questão: será que as empresas deixaram de ser inovadoras com o tempo ou estaremos num quadro onde as análises foram mal feitas no programa anterior, estando agora em curso uma “correção” materializada através da aplicação de critérios de avaliação mais restritivos? É compreensível e até recomendável que, para projetos de maior complexidade, a CCDR Algarve recorra a especialistas externos para poder ter uma avaliação mais justa das candidaturas. Nesse aspeto a ANI aparenta ser uma entidade de referência. No entanto, se o critério é tão apertado que o resultado final é que a verba disponível não é aproveitada e/ou é devolvida para outras regiões, ou ficando no Algarve é redirecionada para linhas que não estão ligadas à inovação, talvez se recomende algum debate sobre o assunto. Importa salientar que um projeto que é reprovado poderá ser sempre corrigido e novamente submetido, algo que pessoalmente já fiz por três vezes sem sucesso. De facto, o mesmo projeto foi sendo chumbado por razões diferentes sendo que, curiosamente, na segunda e terceira volta, os motivos alegados pela ANI não chegaram a ser identificados nos momentos de avaliação precedentes … o que torna complexa qualquer revisão. O problema é muito mais profundo do que aparenta. Se por um lado, os projetos de inovação permitem que as empresas evoluam (novas técnicas, produtos ou tecnologias) e o apoio ao investimento garante essa evolução (não só por via do investimento, como também do controlo da execução do projeto), por outro, permite um reforço da ligação entre o meio académico, onde é fundamental realçar o papel da Universidade do Algarve e o mundo empresarial, que tem evoluído de forma muito significativa nos últimos anos, muito por via dos projetos de inovação. Finalmente, pergunto, como é que as empresas, que não são do âmbito turístico no Algarve, competem neste contexto? Ou será que o esperado é que deixemos de ser incómodos permitindo assim que o dinheiro flua mais livremente para as empresas que estão no Centro e Norte do país? Se não é, parece, pois esta política leva a que sejam as nossas concorrentes internas a poder evoluir, captando assim o nosso capital intelectual e fazendo com que o Algarve sirva apenas para que a “malta” venha cá passar férias e, se possível, sem gastar muito dinheiro. A verdade é que assistimos a dois fenómenos muito contraditórios: o turismo a ser premiado num âmbito europeu e até mundial e as empresas a ser chumbadas em projetos de inovação a nível nacional... Ainda assim, contra tudo e todos, não desistimos! Missão assumida: por o nome Algarve no mapa de inovação nacional e internacional! Por Anabela Afonso Hoje quase não escrevia. Falta-me tempo, e às vezes também assunto. Não é que eu não tenha sempre muitas coisas que me inquietam, sobre as quais me interessa conversar, debater, discutir. Só não acho que isso seja sempre o suficiente para escrever. Esta semana, já quase prestes a deitar a toalha ao chão fui desafiada a não desistir, partilhar uma foto que fosse, um pensamento ou um poema até. Lembrei-me então de umas fotos que tinha, de um passeio com os meus pais pelo campo, perto de onde moramos, e de um pedido da minha mãe que este desafio recuperou: "Filha, um dia tens que escrever sobre as abelhas. Com esta febre de cortar o mato, as abelhas já não têm o que comer." Esta é a altura do ano onde, em tempos idos, um passeio pelo campo seria acompanhado do tão característico zumbido das abelhas que por todo o lado recolhiam o pólen de tudo o que são flores apetitosas. A propósito do pedido da minha mãe, olhámos em volta, procurámos, e quase não vimos abelhas. Fizemos silêncio e o zumbido das abelhas já não se faz ouvir. Consegui, finalmente, registar em algumas fotografias, as poucas abelhas que encontrámos e é isso que hoje partilho. Partilho a presença das escassas abelhas que ainda conseguem retirar alimento das também cada vez mais escassas flores do campo, como são o Rosmaninho e a flor da Mariola. Escassas porque para aos Invernos cada vez mais quentes e com cada vez menos chuva, junta-se agora o desbaste de terrenos sem, muitas vezes, acautelar algum bom senso. Pode ser que, assim, à primeira vista, a imagem acima possa parecer só mato, mas neste mato crescem (ainda) o Rosmaninho, a Mariola, a Papoila e muitas outras espécies que são fundamentais para alimentar as nossas abelhas. Nestes campos cresce (ainda) tomilho com fartura e outras ervas aromáticas que muitas vezes pagamos a preço de ouro nos supermercados. Talvez fosse de algum bom senso evitar que esta paisagem seja destruída, apostar mais na vigilância dos nossos campos. Isto a bem da sobrevivência das abelhas, que o mesmo será dizer da nossa. Geek Session Faro - Fotografia Raquel Ponte As condições para a existência de vida em Marte continuam a dividir o mundo científico, ao contrário da existência dos Geeks tecnólogicos no Algarve. Estes sim reais e evidenciaram a sua presença na passada sexta-feira dia 15 de Fevereiro em mais uma Geek Sessions-Faro.
Qualquer semelhança entre a "multiplicação" assistida e alimentar depois da meia noite ou colocar em contacto com água um Mogwai/Gremlin, é pura coincidência! O que é certo é que o anfitrião deste evento já não tinha mãos a medir. Instruídos por Fabian Reich de Berlim com a talk “Alexa: Why do you understand me?” - The technical foundations of Chatbot building, e João Cabrita - “X things to improve on REST APIs”, num “Full House hand" na Contentserv. Para aqueles que perderam o evento, estão/são curiosos ou só agora começam a despertar para o facto de que prolifera tecnologia e eventos associados no Algarve, aqui fica o broadcast dos próximos eventos:
É de salientar que todos os eventos são gratuítos mas normalmente carecem de inscrição. Apareçam e porventura ainda se aprende que afinal a Terra até nem é plana e que há mais do que Turismo no Algarve. Por Luisa Salazar (2 minutos de leitura) Hoje é dia do Pai! Um dia que é comemorado por muitos e cujos sentimentos em todos nós podem ser diferentes… É interessante como ao longo da nossa vida o que sentimos pelo nosso pai vai mudando, mas fica sempre o Amor e a Admiração… Quanto somos pequenos é o nosso super-herói… Quando somos adolescentes é o pai que não nos deixa fazer tudo o que queremos… Quando somos adultos é o nosso conselheiro e companheiro… E quando somos já velhinhos fica na nossa saudade… Hoje pedi à minha amiga Matilde Nicau Valério, de 11 anos, para publicar um dos seus poemas neste dia tão especial. Por isso aqui deixo o meu bem-haja a todos os pais e ao meu pai e ao da Matilde em especial! “A gravata do meu pai Por Gonçalo Duarte Gomes Sá de Miranda, poeta português nascido no Século XV, escreveu: Quando eu, senhora, em vós os olhos ponho, O Algarve tem mais ou menos o efeito da lírica senhora a que o poema se reporta, causando desvario e a perda de chão. Concretamente ao nível das intenções imobiliárias associadas ao turismo. Numa semana marcada por mais uma exibição épica de Cristiano Ronaldo, o seu feito de pôr a bola onde põe os olhinhos empalidece face à capacidade que certos patos-bravos demonstraram até hoje de, onde poisaram a vista, assentarem betão em monte. Por Sara Luz
Quando o tema da equidade de género está em cima da mesa há quem insista no argumento que não existe misoginia em Portugal, mas o certo é que os factos o desmentem de forma inequívoca. Segundo o mais recente relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT), as mulheres ganham em média menos 22,1% do que os homens apesar de mais escolarizadas, apresentam condições contratuais mais precárias e têm maior probabilidade de ficarem no desemprego. Os cargos de direção e políticos são maioritariamente ocupados por homens e é, igualmente, curioso que nas áreas onde a força de trabalho é na sua maioria constituída por mulheres, como no caso da saúde, que os cargos de liderança sejam também eles predominantemente ocupados por homens. Realçar, ainda, que as mulheres são quem mais sofre com assédio laboral e sexual, e com violência doméstica que, fatidicamente, continua a vitimizar um sem número de mulheres em Portugal – entre 2004 e 2018 registaram-se mais de 500 femicídios e este primeiro trimestre de 2019 que, embora ainda não tenha terminado, já conta com 12 vítimas mortais. Compreende-se, portanto, que os factos tornam a crença – de que a misoginia não existe em Portugal – frágil e inconsistente. O problema é que por detrás da mesma existe uma falácia lógica que continua a ter impacto na liberdade das mulheres, expressa na desigualdade de oportunidades e participação na vida económica, científica e política. Ou seja, há uma significativa franja da sociedade portuguesa que considera que os comportamentos misóginos fazem parte do passado e crer o contrário não é mais do que uma elaboração irrealista ou proveniente de um discurso feminista que tem como fim a luta dos direitos das mulheres por via da misandria; ao fim ao cabo, em Portugal o acesso à educação é igualitário entre géneros, os casos de mutilação genital feminina e violência física e sexual feminina estão ambos previstos no código penal e as mulheres podem conduzir, votar, casar, utilizar contraceção e recorrer aos serviços de saúde com base em escolhas livres…Ora, assim, “como pensar de forma diferente?”. Pois é precisamente esta narrativa social que asfixia, silencia, desvaloriza e normaliza uma realidade que, infelizmente, teima a persistir em Portugal. A opressão patriarcal mantém-se e constitui, a meu ver, um manifesto obstáculo às medidas que visem promover a igualdade e equidade de género. Veja-se, por exemplo, o caso da mais controversa das medidas: a nova Lei da Paridade e Representação Equilibrada. Há quem parta do pressuposto que a Lei da Paridade não faz sentido porque as desigualdades não existem, sugerindo que a falta de representatividade feminina nos cargos políticos se deve ao desinteresse pela política, ou a haver são residuais e mutáveis ao longo do tempo (“mão invisível na cultura”). Há também outros que se referem ao facto da mesma não garantir que a escolha seja baseada no mérito ou, ainda, que atenta às desigualdades que, sim, devem persistir (referindo-me em concreto, neste último caso, a uma opinião publicada recentemente n’Observador) (pode ler-se aqui). E quanto a isto cabe-me dizer que se não fossem 209 os anos necessários para a mulher deixar de ser encarada como a principal cuidadora familiar, segundo o relatório da OIT; a inexistência ou o escasso número de medidas que visam a conciliação da vida profissional, pessoal e familiar, sobretudo, para as mulheres condicionadas pela maternidade; ou as escolhas poderem, e deverem sim, privilegiar o princípio da meritocracia; (e, quanto ao argumento da defesa da misoginia publicado n’Observador, opto realmente por me abster!); até eu me sujeitava a acreditar nisso. Termino parafraseando Simone de Beauvoir, em “O segundo sexo”, as mulheres, herdeiras de um passado pesado, devem, em conjunto com os homens, almejar e forçar um novo futuro; futuro esse em que as mulheres estão devidamente representadas nas áreas da ciência, política e economia, em conciliação com a vida pessoal e familiar e sem que isso acarrete a supremacia de qualquer um dos géneros. Esta é a convicção do que acredito ser vital em matéria de género para a coesão social e para o progresso do país. Por Anabela Afonso
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| Foto: Ribeira de Odelouca, Fev./2019. PJP. | |
O poeta Ovídio legou-nos, entre outras obras, "A arte de amar", escrita mais ou menos pela altura em que Jesus Cristo nasceu.
Aconselhava-nos aí a considerar os ofícios do coração na perspectiva dinâmica de um jogo, em perpétua mutação, com avanços e recuos, inebriantes e pírricas vitórias e amargas e gloriosas derrotas.
Em Portugal, esse jogo revela-se tão duro, que deveria ser obrigatória a utilização de protecções, ao estilo do hóquei no gelo.
Principalmente para as mulheres, pois são elas quem mais vezes acaba no frio de uma câmara frigorífica, numa qualquer morgue, de Norte a Sul do País, como cadáveres que bóiam num mar de lágrimas de crocodilo.
Para aqueles que formulam opiniões como “está com el@ é porque gosta de levar”, “voltou para casa é porque lá é que está bem” e “entre marido e mulher não se mete a colher”, a Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) explica bem o Ciclo que as vítimas vivênciam:
- aumento de tensão: as tensões acumuladas no quotidiano, as injúrias e as ameaças tecidas pelo agressor, criam, na vítima, uma sensação de perigo eminente.
- ataque violento: o agressor maltrata física e psicológicamente a vítima; estes maus-tratos tendem a escalar na sua frequência e intensidade.
- lua-de-mel: o agressor envolve agora a vítima de carinho e atenções, desculpando-se pelas agressões e prometendo mudar (nunca mais voltará a exercer violência).
Este ciclo caracteriza-se pela sua continuidade no tempo, isto é, pela sua repetição sucessiva ao longo de meses ou anos, podendo ser cada vez menores as fases da tensão e de apaziguamento e cada vez mais intensa a fase do ataque violento. Usualmente este padrão de interacção termina onde antes começou. Em situações limite, o culminar destes episódios poderá ser o homicídio" Cit in https://apav.pt/vd/index.php/vd/o-ciclo-da-violencia-domestica
Nota Biográfica:
O Eduardo nasceu, cresceu e estudou em Faro até terminar a licenciatura em gestão na UALG. Começou a trabalhar na empresa da família, em Faro, e por aqui andou à zaragata com os negócios até descobrir que não era isso que o fazia feliz. Finalmente saiu de Faro, foi para Lisboa estudar psicologia clínica no ISPA e fazer uma pós-graduação em Coaching Psicológico na Faculdade de Psicologia. Voltou a Faro para dirigir um Veículo de Ideias onde se faz psicologia clínica, coaching (mas afinal, o que é isso de coaching?) e formação. Anda muito entusiasmado a criar uma clínica social, para levar a psicologia a todos, independentemente das possibilidades económicas. Só é necessário querer ser ajudado, e já não é pouco. Adora psicologia, falar de psicologia e até escrever sobre psicologia, embora diga que escreve mal. Não deixa de ser uma vocação estranha para alguém que fala tanto, principalmente de psicologia ou outro assunto qualquer. A paixão pelo futebol divide-se entre o clube da sal terra e os voos mais altos da aguia de Lisboa e gosta de boa comida, principalmente se for numa mesa cheia de boa conversa e amizade.
Imagino que muitos leitores ao se depararem com o título abriram o link convencidos de que iriam ler uma crónica sobre a histórica jornada futebolística deste passado fim de semana. Lamento desapontá-los. Esta não é uma crónica sobre futebol.
Ou talvez seja.
Como acontece tantas vezes, depois de uma semana de indignação incontida contra a violência latente dentro dos lares portugueses, basta um fim-de-semana de golos para tudo esquecer e voltar à pacata normalidade. Seria bom que desta vez fosse diferente. Mas duvido.
Num país que deixa morrer todos os anos, em média, uma mulher a cada quinze dias, já todos vimos como é fácil saltar da indignação do número de mulheres brutalmente assassinadas, para o número de golos da jornada.
Não sei, por isso, o que precisamos mais de fazer, dizer, inventar, para que a chacina acabe.
Dada a minha falta de palavras para competir com tanto golo, quero só deixar as palavras de alguém que, pelos vistos, tem muito o que dizer sobre esta questão de violência doméstica, e cujas palavras, pelos vistos, não foram suficientemente lidas. Se tivessem sido, este senhor já não estaria a exercer nos tribunais portugueses. Deixo-vos com o famoso excerto do acórdão do Juiz Neto de Moura, cuja leitura atenta recomendo, para se perceber porque contam mais, neste país, 10 golos numa jornada, do que 10 mulheres assassinadas. Boa leitura!
«Este caso está longe de ter a gravidade com que, geralmente, se apresentam os casos de maus tratos no quadro da violência doméstica.
Por outro lado, a conduta do arguido ocorreu num contexto de adultério praticado pela assistente.
Ora, o adultério da mulher é um gravíssimo atentado à honra e dignidade do homem.
Sociedades existem em que a mulher adúltera é alvo de lapidação até à morte.
Na Bíblia, podemos ler que a mulher adúltera deve ser punida com a morte.
Ainda não foi há muito tempo que a lei penal (Código Penal de 1886, artigo
72.0) punia com uma pena pouco mais que simbólica o homem que, achando sua mulher em adultério, nesse acto a matasse.
Com estas referências pretende-se, apenas, acentuar que o adultério da mulher é uma conduta que a sociedade sempre condenou e condena fortemente (e são as mulheres honestas as primeiras a estigmatizar as adúlteras) e por isso vê com alguma compreensão a violência exercida pelo homem traído, vexado e humilhado pela mulher.
Foi a deslealdade e a imoralidade sexual da assistente que fez o arguido X cair em profunda depressão e foi nesse estado depressivo e toldado pela revolta que praticou o acto de agressão, como bem se considerou na sentença recorrida.
Por isso, pela acentuada diminuição da culpa e pelo arrependimento genuíno, podia ter sido ponderada uma atenuação especial da pena para o arguido X.
As penas mostram-se ajustadas, na sua fixação, o tribunal respeitou os critérios legais e não há razão para temer a frustração das expectativas comunitárias na validade das normas violadas.»
Negritos e sublinhados meus.
Afirmava o Sr. Ministro "Não tenho dúvida nenhuma” de que há “pleno emprego” entre os doutorados".
Numa altura em que os processos PREVPAP e contratação de doutorados têm sido tudo menos claros, e que as dinâmicas da FCT são no mínimo erráticas, e procurando realçar o peso deste tema numa região como o Algarve, imediatamente assumi que seria um tema para artigo de discussão.
Mas, depois da primeira reação, muito embora eu próprio seja um ativo do movimento "je suis PREVPAP", não sou doutorado ou investigador, e como diz o povo "cada macaco no seu galho".
Assim, decidi estender convite a um colega e amigo que, muito embora as competências e qualidades pessoais e profissionais, contraria a afirmação do Sr. Ministro.
Hugo Barros
Por Dário Passos
Na passada sexta-feira, dia 1 de Fevereiro, estava eu como de costume a ler os cabeçalhos do Público, quando dei de caras com uma notícia sobre o ministro da Ciência e Tecnologia, Manuel Heitor. Nessa peça (1), o Sr. Ministro faz uma declaração na qual diz, e passo a citar ”Não tenho dúvida nenhuma” de que há “pleno emprego” entre os doutorados”. Logo ao início não percebi a declaração e até pensei que fosse uma manipulação jornalística para dar mais realce à coisa. No entanto, ao ler a notícia por completo, foi com alguma admiração que me dei conta que essas foram mesmo as palavras que saíram da boca do ministro. Algo não batia certo! Pleno emprego entre os doutorados? Que raio quer dizer “pleno emprego”, especificamente escrito entre aspas? Como dita a regra, em caso de dúvida e antes de substanciar algum julgamento precipitado, decidi procurar o significado deste conceito de “pleno emprego”. Após um par de clicks na bola de cristal da informação (Google) cheguei a um conceito de “pleno emprego” que em Macroeconomia é definido como: “diz-se estar em pleno emprego quando todos aqueles autorizados a trabalhar (e.g. crianças não) que buscam emprego o encontram em pouco tempo e com pouco esforço.” ou então “o pleno emprego é definido como o nível de emprego em que não há desemprego cíclico ou de demanda insuficiente.”(2). Esta descoberta só veio a aumentar a minha desconfiança em relação às declarações do Sr. Ministro, pois a minha experiência pessoal contradiz as mesmas.
Antes de continuar com esta linha de raciocínio, devo confessar que eu, pessoalmente não sou exemplo para ninguém. Eu sou, provavelmente, um dos poucos investigadores que “renunciou” a um contrato de investigação de 6 anos (ao abrigo do DL57) no Instituto Superior Técnico em Lisboa, por razões familiares. Na altura, ficar a morar no Algarve para manter a família unida, foi o que me pareceu ser a decisão mais acertada. Passados quase dois anos dessa decisão, quis o destino ser manhoso e eu ir parar aos Açores, mais uma vez por querer manter a minha família unida. Mas pronto, isso são desabafos para outra altura…
Voltando ao conceito de pleno emprego, gostaria de esclarecer um par de coisas que o leitor poderá não estar familiarizado. Uma pessoa depois de fazer um doutoramento, pode seguir duas vias: a Academia, isto é, dar aulas e/ou fazer investigação, ou então entrar para o mundo empresarial (por conta própria ou por conta de outrem). Quando se fala em emprego científico, refere-se normalmente à componente de investigação em instituições públicas (universidades e laboratórios). Este “emprego científico” é na sua grande maioria dependente de bolsas ou contratos precários de curta duração que em muitos casos não permite sequer o acesso à Segurança Social nem a uma carreira contributiva. Mas pronto, quem escolhe este caminho está no seu pleno direito. Só os “melhores” conseguem sobreviver num ambiente de competição constante no qual os investigadores têm que mostrar serviço (publicar) e na maior parte das vezes arranjar financiamento para os seus projetos de investigação. Sim, porque não são as universidades a financiar os projetos, são as equipas de investigadores que competem entre si para poder financiar a sua investigação através de concursos a fundos nacionais e/ou internacionais. Muitas das vezes é o projeto que o investigador responsável se candidatou que paga as bolsas dos outros investigadores que estão associados ao projeto. A meu ver o grande problema aqui é que não existe um mecanismo de financiamento estável no tempo. Há anos em que há financiamento e concursos, seguido de um par de anos em que não há quase nada. Isso não permite às pessoas poder planear antecipadamente uma estratégia. Mas pronto, como disse inicialmente, estas são as regras e quem vai a jogo tem que estar ciente das mesmas (incertezas incluídas). Basicamente se jogares bem as tuas cartas e tiveres bastante mobilidade consegues ser bolseiro até aos 67 anos e depois “talvez” tenhas direito a uma reforma da ordem dos 300€ e piques!
O outro problema da empregabilidade dos doutorados tem a ver com o tecido empresarial em Portugal. Não existe ainda uma cultura de contratar pessoas com doutoramento, talvez por se achar que são “caras”. A minha experiência pessoal mais uma vez discorda com esta assunção. De entre os meus amigos mais próximos, sou dos poucos que tem um doutoramento, e posso atestar em primeira pessoa, que todas a ofertas de trabalho às quais tive acesso (em empresas), o salário oferecido foi sempre inferior ao de amigos sem doutoramento (chefes de cozinha, engenheiros civis, bancários, e até artistas plásticos). Isto sem mencionar que estas ofertas foram, à exceção de uma, todas para Lisboa. Além do mais, os doutorados são muitas vezes rotulados como “investigadores” e uma vez que a grande maioria das empresas portuguesas não promove a investigação, essas pessoas ficam erradamente desajustadas para o mercado de emprego nacional. Felizmente vão começando a aparecer exceções à regra.
Pondo estas constatações em contraste com a definição de pleno emprego descrita acima, torna-se evidente que esta não se aplica à situação que se vive em Portugal. A situação dos doutorados algarvios é então ainda muito mais desajustada devido à falta de oportunidades na região. É raro o município que tem planos e incentivos que permitam a fixação de empresas de base tecnológica e industria na região. Além do mais, muitos dos doutorados que se formaram em Portugal na última década não estão nas listas do desemprego pois estão a fazer pela sua sobrevivência, quer emigrando quer trabalhando em empregos para os quais não é preciso um doutoramento. Daí a dizer que há pleno emprego entre doutorados, existe uma lógica algo populista e a meu ver irreal, talvez sintoma de um mind set pré-eleitoral? Não faço ideia! As palavras do Sr. Ministro caíram muito mal na comunidade científica portuguesa dando azos, como já seria de esperar, a diversas manifestações de descontentamento por parte dos investigadores (3,4,5). Para quem gosta de números aconselho a consultar estas últimas referências. Pessoalmente acho que toda esta situação é um problema estrutural de fundo que demorará vários anos a ser resolvido (se alguma vez o for). Entretanto, os doutorados têm que continuar a fazer o que fazem melhor, i.e. inovar e procurar maneiras de ser útil numa sociedade que muitas vezes não os reconhece, trata-os como “meninos mimados à procura de um tacho” e na qual a classe política não dá respostas eficazes.
(1) https://www.publico.pt/2019/02/01/ciencia/entrevista/nao-duvida-nenhuma-ha-pleno-emprego-doutorados-1860009
(2) https://pt.wikipedia.org/wiki/Pleno_emprego
(3) https://www.publico.pt/2019/02/04/ciencia/noticia/investigadores-indignados-garantia-ministro-ha-pleno-emprego-1860682
(4) https://www.publico.pt/2019/02/04/ciencia/opiniao/manuel-heitor-empregador-implacavel-1860619
(5) https://www.publico.pt/2019/02/05/ciencia/opiniao/ministerio-ficcao-cientifica-186059
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