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Algarvios, quanto vale o vosso dinheiro?

13/11/2018

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Por Luísa Salazar

​Não sei se alguma vez se questionaram quanto vale efectivamente o dinheiro dos algarvios. Já? Se sim: Boa! Ficaram desanimados!
Se ainda não pensaram sobre este tema… Pois, este artigo dá-vos essa oportunidade!
Primeiro um breve enquadramento económico da “coisa”. Penso que o mais fácil será utilizarmos uma expressão económica: Cabaz de bens explicada na Teoria do Consumidor! É também através do cabaz de bens que os economistas medem a taxa de inflação e calculam Índices de Preço no consumidor, entre outras taxas e variações.
Muito bem, esse cabaz de bens é constituído na prática por bens e serviços que satisfazem as necessidades de determinado consumidor que será considerado como o padrão.
O meu exercício é simples. Experimentem a criar o vosso próprio cabaz de bens e ir por este país fora, passando pelas várias capitais de distrito “interiores” como o Algarve e comprar os mesmos bens ou equivalentes. Que vos parece? Um desafio interessante…
Comecemos pela habitação. Alguém tem dúvida que o metro quadrado para habitação no Algarve é muito mais caro do que em Beja, Castelo Branco, Viana do Castelo, Braga e quase equiparado ao Porto? Não, pois não?
E na Alimentação e Restauração? Não só o tamanho das doses no Algarve é sempre a pensar em dietas como os preços não são para a carteiras de todos…
Vestuário e calçado… Bom neste tema apenas as multinacionais do império da moda estabelecem uma fasquia mais ou menos equiparada, no entanto, quanto ao comércio local admito que os preços que conseguimos encontrar fora do Algarve são muito mais económicos, assim como em algumas capitais de distritos temos muitas opções de outlets e até de comprar em fábricas. Sim algarvios… As fábricas que produzem marcas internacionais no nosso Portugal, permitem e bem, que os portugueses adquiram esse produtos a um preço bem mais simpático!
Educação… As Escolas públicas embora sejam todas iguais há sempre umas mais iguais do que outras e por norma as escolas do Algarve não saem em vantagem.
Transportes públicos e alternativas de transporte… Não consigo comparar… Não entra no cabaz esta comparação porque teria em muitas situações de ser feita transportes públicos versus viatura própria e ai sem dúvida que os algarvios saem a perder…
Saúde… Idem Idem Idem ao parágrafo anterior!
Desanimados o suficiente?
Então, para quando vamos reclamar que o nosso Algarve seja finalmente considerado uma região periférica, interior, mas com preços para os locais idênticos aos dos grandes centros urbanos, que têm acesso a outro tipo de condições que nós aqui não temos?
Para quando entendermos que termos a possibilidade de viver no Algarve e ajudar o nosso país a se desenvolver em termos turísticos não deve ser digno de pagamento extra?
Pensem bem! O Algarve precisa que todos pensem!

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ALGARVIANA.PT

12/11/2018

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Por Patrícia de Jesus Palma
As formigas no relógio ou a memória persistente

«Restauração intelectual do reyno» no século XVIII, «ressurgimento intelectual da província» no século XX, «especialização inteligente do Algarve» no século XXI, são expressões que integram o Algarve numa trajectória longa de procura pelo conhecimento, embora com hiatos e retrocessos. Nesses intervalos, como na pintura de Dalí, as formigas apoderam-se do vazio... Nem sempre temos facilidade em assumir a dupla condição de quem ousa Saber, regressando ao passado com os olhos postos no futuro, desejando tanto o conhecimento, quanto a compreensão através da inteligência. Será mais cómodo, mais económico, mais alienante também.

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Salvador Dalí – A Persistência da Memória, 1931.
Por estes dias, inicia-se nova discussão pública em torno dos «Caminhos para a Competitividade e Especialização Inteligente Regional» e interrogo-me sobre o lugar que o conhecimento sobre a região, não só em termos estatísticos, económicos e sociais, mas também em termos históricos e culturais, ocupará no desenho da nova Estratégia de Especialização Inteligente tendo em vista o horizonte 2030. Tal assunto mereceu tão-só um parágrafo na descrição do contexto regional na versão de 2015 (https://issuu.com/ccdralgarve/docs/ris3_20-06).  E, no entanto, é para os eixos do conhecimento, da inovação, da eficiência e da coesão territorial que todo o documento se dirige.
É, pois, oportuno lembrar o monumental trabalho de um particular, Mário Lyster Franco (1902-1984), em prol do conhecimento e desenvolvimento científico e social do Algarve e da sua valorização como um todo. Refiro-me, naturalmente, à Algarviana. Não àquela que a maioria dos leitores identificará com a paisagem natural do Algarve, através da Grande Rota Pedestre, a Via Algarviana, mas àquela outra paisagem, a mental e simbólica, construída pela imensa colecção de textos e de imagens sobre o Algarve, coligidos por M. Lyster Franco, para a qual criou o neologismo «Algarviana» e de que resultou a Algarviana: Subsídios para uma Bibliografia do Algarve e dos Autores Algarvios, vol. I, A-B (1982).
Mário Lyster Franco procurou reunir o maior número de documentos, de periódicos, de livros, de imagens, de testemunhos sobre o Algarve e assim também de informações sobre os algarvios que, em qualquer época, desenvolveram actividade intelectual deixando memória escrita. O legado, que está a cargo da Biblioteca Central da Universidade do Algarve (https://www.ualg.pt/pt/content/pesquisa-bibliografica), representa e representa-nos uma região que abala completamente o conceito de um espaço culturalmente lacunar e subalterno. Erige, em vez dessa ausência, uma sociedade de cultura e de conhecimento, aberta e em diálogo, oferecendo-nos uma notável quantidade de informação sobre os lugares, sobre as pessoas, sobre a história, sobre o património e sobre as actividades desenvolvidas no território ao longo do tempo. O trabalho ficou suspenso em 1984, apesar de a sua utilidade não ter parado de aumentar, quer no contexto do desenvolvimento da Universidade do Algarve, quer das transformações tecnológicas, quer ainda no quadro da política de coesão da União Europeia ao levar os países e as regiões a delinear Estratégias de Investigação e Inovação para uma Especialização Inteligente.
Ora, o que é a Algarviana se não uma “especialização inteligente”, realizada de acordo com os instrumentos e as tecnologias disponíveis no século XX? Trata-se, com efeito, de uma abordagem ao território do ponto de vista do Saber, integrando-o nas dinâmicas globais de circulação e de produção do conhecimento, um extraordinário instrumento de pesquisa e simultaneamente um impulsor de desenvolvimento.
Se é pouco exequível dar continuidade à Algarviana nos termos em que foi originalmente delineada, creio que a detentora deste criativo acervo, a Universidade do Algarve, reunirá as melhores condições para o potenciar, liderando e desenvolvendo uma plataforma digital agregadora – a ALGARVIANA.PT – que funcione como ponto único de acesso a informação sólida, segura e de qualidade sobre o Algarve nas suas múltiplas coordenadas espácio-temporais, contribuindo para incrementar as relações dialógicas entre a Academia e a sociedade.
A Algarviana é um projecto de conhecimento sobre o Algarve que continua vivo e a desafiar o futuro. Estaremos à altura deste legado?
A memória persiste. Persistamos.

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O tsunami Jair Bolsonaro.

10/11/2018

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Por Dinis Faísca
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O que aconteceu no Brasil, foi um tsunami social. Após inúmeros tremores, surgiu o grande terremoto provocado essencialmente pela corrupção no âmago do poder, a insegurança generalizada e a profunda perda de credibilidade dos actores políticos. Depois de tão intenso e profundo abalo na casa da democracia, não se compreende a surpresa com o surgir do tsunami.

O que mais me impressiona é o colapso de todos os sistemas de alerta. Como é que com a quantidade e duração da actividade sísmica ninguém suspeitou, se preparou ou preveniu tal sucesso. O preocupante não é Jair Bolsonaro. O preocupante é a aparente perplexidade à volta da sua vitória. Como é que não fomos capazes de ler os sinais e antecipar a possibilidade e as consequências da mesma?

Será que os tsunamis só acontecem no Brasil? É pouco provável. O natural é que este tipo de fenómenos suceda após forte abalo, com epicentro no mar, varrendo países à beira mar plantados. Estarão os nossos sistemas de alerta preparados para detectar algo que se pareça? Não sei, não sou especialista na matéria. O que sei é que o Algarve se situa numa região de intensa sismicidade histórica. Infelizmente a actividade sísmica é constante e andamos tão distraídos que não só não nos damos conta, como até já temos dificuldade em conceber a região sem ela.

Num sistema democrático que já atingiu a ternura dos quarenta, era de esperar uma maior capacidade de proteger, cuidar, promover, desenvolver, redistribuir e respeitar.

Que poderá a região esperar daqueles que elegeu, ou ajudou a eleger, com a esperança da concretização das inúmeras promessas que incorporavam a letra do canto da sereia e que posteriormente se comportam de forma corporativa, fazendo o contrário do compromisso assumido?
Aqueles que no Algarve prometem maior investimento na saúde são os mesmos que em Lisboa votam orçamentos com reduções substanciais na saúde na nossa região.

Os que prometem acabar com as deslocações a Lisboa para uma consulta de ortopedia ou de pedopsiquiatria (não irei elencar mais especialidades para não vos maçar), são os mesmos que aprovam orçamentos sem verbas para o Novo Hospital Central do Algarve, por não ser prioritário.

Os que prometem melhorar as vias de comunicação e no mínimo reduzir o valor das portagens são os mesmos que votam orçamentos que não contemplam as obras de requalificação do troço Olhão – VRSA da EN 125 e prevêem a actualização do valor das portagens na Via do Infante.

Os que defendem o uso dos transportes públicos são aqueles que se calam perante um Algarve sem uma rede rodoviária de transportes que nos permita deixar o carro em casa nas deslocações diárias para o trabalho.

A via-férrea é defendida na região por aqueles que em Lisboa a votam ao abandono, “o comboio chega quando chega, se chegar”.

Ao já referido, acrescem as senhas de ausência, as falsas moradas, as viagens fantasma e muitas outras coisas que revelem o nível ético e moral, de grande parte, daqueles que nos representam.
​
São estas e tantas outras ondas sísmicas que debilitam o sistema democrático e anunciam algo mais profundo e intenso. Estes tempos anunciam outros em que as pessoas irão preferir aquele que diz as maiores barbaridades e porque são barbaridades dissonantes acreditam que finalmente alguém irá cumprir o que diz. A coerência irá sobrepor-se à substância. A decisão será entre a coerência conhecida e a substância incerta. Por norma, gostamos de saber com o que podemos contar. Aqueles que só nos conhecem e defendem de 4 em 4 anos, por muita substância que tenham, estão a provocar o afastamento das populações da política e a criar as condições propícias à formação de um tsunami. Espero que o SIRESP esteja à altura dos acontecimentos, mas não acredito nesse milagre, ainda que me considere um homem de fé
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A Guerra dos Trones (à algarvia, portanto)

9/11/2018

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Por Gonçalo Duarte Gomes

George R. R. Martin, o autor da épica saga literária "Uma Canção de Gelo e Fogo", que foi entretanto adaptada para televisão através da aclamada (e imperdível) série "Guerra dos Tronos", diz ter bebido inspiração em fragmentos da História Universal, com os quais compôs habilmente uma espécie de antologia.

O que não passa de uma grandessíssima treta.

Porque, bem vistas as coisas, o que ele fez foi limitar-se a copiar o conflito que decorre, nada mais nada menos, no Algarve.

É a Guerra dos Trones, ´migues.

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As portagens na Via do Infante vão terminar …

7/11/2018

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Por Bruno Inácio
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… ou então vai apenas aumentar o seu custo!

É assim, mais ou menos no meio desta amplitude que encontraremos a resposta para aqueles que ainda se vão questionando sobre o futuro das portagens na Via do Infante. Entre aqueles partidos que suportam o Governo e dão corpo a uma geringonça e aqueles que governam o país e nos prometem o céu para logo depois a realidade os desmentir, não será fácil perceber ao certo com o que podemos contar.

Perdoem-me. O leitor tem toda a razão. É claramente fácil perceber com o que podemos contar: com portagens durante muito tempo.

Já o escrevi aqui várias vezes que é um tema que não me seduz particularmente. Entendo que o estado tem um conjunto de encargos assumidos e que os custos de eliminação, actualmente suportados pelo utilizador pagador seriam difíceis de acomodar no orçamento de estado. Assumir esta realidade actual parece-me de elementar bom senso para que possamos partir para outras discussões nomeadamente sobre a possibilidade de descriminações positivas para áreas de baixa densidade, para áreas periféricas ou até para determinadas classes de veículos ou de população por determinados períodos de tempo. Existe um leque vasto de discriminações que não tendo o impacto que a abolição teria podem trazer benefícios importantes para determinadas regiões ou grupos populacionais.

Todos sabemos no entanto que é mais fácil dizer que somos contra e que queremos que acabem com as portagens. Podemos até querer acreditar no conto da carochinha que bastava “acabarem com uns carros e uma mordomias do Estado e isso chegava para acabar com as portagens”.

Toda esta história vive na retórica política como uma espécie de bola quente que se atira de um lado para o outro conforme se está no poder ou na oposição. Nada de novo tendo em conta o tempo que esta história já leva.

O que no entanto me causa maior urticária é a retórica deste governo que depois se traduz num modos operandi que tem tanto de falso como de perigoso. Nós que gostávamos tanto de apontar o dedo aos “trumps” e aos “bolsonaros” deste mundo, também nos ficaria bem recusarmos um discurso que deliberadamente nos tenta enganar entre discursos de fantasia e promessas de paraíso.

Para que não me acusem de ser sectário (vá, para que não me acusem muito!), vou transcrever a novela dos últimos dias sobre esta matéria. São manchetes de jornais entre finais de Setembro e o início de Novembro do presente ano. Um mês e pouco portanto separam estas notícias.  

29-09-2018: Esquerda insiste na abolição de portagens em antigas SCUT
30-10-2018: "Este ano pela segunda vez na legislatura vamos reduzir as portagens no interior" (Ministro Pedro Siza Vieira)
31-10-2018: Portagens nas auto-estradas deverão aumentar 1% em 2019
31-10-2018: Portagens sobem pelo 3.º ano consecutivo
03-11-2018: Secretário de Estado defende abolição de portagens para zonas mais pobres do interior

No dia 30 de Outubro o Ministro, o recém-reforçado Ministro, Pedro Siza Vieira, anuncia que pela segunda vez na legislatura vão reduzir as portagens no interior. No dia seguinte, repito, no dia seguinte, são noticiados aumentos de 1% nas portagens. Também no dia seguinte, repito, também no dia seguinte, é noticiado que as portagens sobem pelo terceiro ano consecutivo. Bem sei que o Senhor Ministro não mentiu. Mas o Senhor Ministro saberia melhor do que ninguém que da soma entre o deve e o haver a conta final seria de aumento e não de redução do valor a pagar pela população. Mas ainda assim o disse convictamente sabendo no entanto que as portagens iriam subir, lá está, pelo terceiro ano consecutivo.

Esta forma de estar é de resto replicada um pouco por todo o Governo. Veja-se o flagrante caso da passagem do Infarmed para o Porto. O Primeiro-Ministro, em plena Assembleia da República disse cinco vezes, sim, disse cinco vezes que o Infarmed iria para o Porto. O Infarmed não foi para o Porto.

Outro caso é o do preço dos combustíveis. O governo anuncia pomposamente que os impostos sobre os combustíveis vão descer. Depois começamos a perceber que afinal é só a gasolina que desce e depois começamos a perceber que a taxa de carbono vai absorver parte dessa descida. Ficamos na mesma ou ficaremos pior. Mas o governo lá vai dizendo que vai baixar os impostos sobre os combustíveis.

É este discurso perigoso que devemos rejeitar. Porque assenta em bases demasiado fragueis para serem ditas por alguém que representa um órgão de soberania. "Eu não revogo aquilo que disse, eu suspendo aquilo que disse". Uma pérola dita de viva voz pelo nosso primeiro-ministro.

Em tempos em que a palavra dada é cada vez menos honrada, sejamos capazes de rejeitar este tipo de discurso, venha ele de onde vier porque é são também (não só, mas também) estas ilusões que vão minando a crença nas instituições e forjando os discursos anti-sistema que vão ganhando lastro por todo o mundo. E nós não estamos infelizmente imunes. 
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Greve cirúrgica(mente) necessária!

6/11/2018

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Por Sara Luz

Decorrido pouco mais de um ano do início das fortes contestações por parte da classe profissional de Enfermagem (tema que pode ser recuperado aqui) sabemos duas coisas: uma é que o Ministro da Saúde não resistiu e na hora da queda o seu lema “somos todos Centeno” de pouco lhe valeu; outra é que os enfermeiros que “inventam problemas”, “geram o caos”, revelam “egoísmo profissional” e promovem movimentos “ilegítimos, imorais e ilegais” mantêm-se firmes na luta por uma carreira mais justa e na defesa de um Serviço Nacional de Saúde (SNS) melhor para todos.

Prova dessa perseverança é a mais recente angariação de 300 mil euros para a realização de uma greve cirúrgica nos principais blocos operatórios do país (i.e., Santa Maria, Universitário de Coimbra e São João (https://ppl.com.pt/prj/greve-cirurgica?fbclid=IwAR1Es5SU18FU4uj3opTAcFjw0kozzGPpYta1ubOGr314tNRjhVMvuzOVM-Q).

Os enfermeiros portugueses a exercer funções em Portugal e no estrangeiro, assim como enfermeiros reformados, estudantes de enfermagem e tantos outros de alguma forma ligados à Enfermagem, cansaram-se de discursos eleitoralistas (https://www.youtube.com/watch?v=92CLlBhYXDE) e greves estéreis, e decidiram que era altura de acertar em cheio no coração da Tutela ou não fosse o atual sistema de contratualização hospitalar muito vocacionado para a atividade cirúrgica. A ideia passa, portanto, em utilizar o dinheiro angariado para assegurar os vencimentos dos enfermeiros grevistas entre o período de 22 de novembro a 31 de dezembro.

Dizer que o objetivo da angariação não só foi atingido como superado, razão pela qual já está a ser equacionada a hipótese de se alargar o fundo para apoiar os enfermeiros grevistas em exercício noutros blocos operatórios de relevo do país (a saber, Porto e Setúbal; e onde, claro, o Algarve nem sequer foi considerado), nesta que poderá tratar-se da maior greve da história do setor da saúde e, mais concretamente, da Enfermagem em Portugal.

Problemas disto? Alguns… A começar pelo facto de algumas pessoas considerarem esta forma de pressão inaceitável independentemente dos seus propósitos. Depois, teremos aquelas que, ainda que solidárias com a causa, não pouparão críticas aos enfermeiros na hora de verem as suas cirurgias programadas, ou as dos seus familiares, canceladas e adiadas. A luta parecerá ainda mais inglória com o início dos “malabarismos” do Governo que, apesar de considerar legítimas as reivindicações dos enfermeiros, não se coibirá de usar a opinião pública a seu favor – como fez, por exemplo, com os professores – ou não estivéssemos nós a um ano das legislativas.

Sei bem que isto não agradará a quem apoia a causa (onde eu própria me incluo!), mas sei também que a esmagadora maioria dos enfermeiros o faz em consciência e, ao contrário do que se possa pensar, com grande sentido de responsabilidade. É tempo de dizer basta ao desrespeito pelas dotações seguras de Enfermagem e, por inerência, à negligência que se assiste nos cuidados de saúde; é tempo de dizer basta à falta de avaliação e progressão na carreira de Enfermagem que perdura há mais de 13 anos; é tempo de dizer basta a um SNS cronicamente sub-orçamentado que vive a subsidiar os privados; é tempo de dizer basta ao discurso que os impostos dos cidadãos não chegam para dar resposta às necessidades em saúde, mas servem bem os interesses da banca. Por tudo isto, esta é uma greve cirúrgica(mente) necessária! 

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Chegou a Terceira Vaga ao Lugar ao Sul

4/11/2018

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António Gedeão cantava que o sonho é uma constante da vida.

O Lugar ao Sul, agora com dois anos, conseguiu algo que pouco acreditávamos ser possível: ter uma vida longa e robusta. É certo que já teve os seus momentos menos participados mas nunca deixou de ter actividade constante e regular. Em dois anos de vida foram produzidas mais de trezentos artigos de opinião sobre os mais variados temas e das mais variadas formas.

Tal como outros famosos e espartanos 300, marcam uma resistência. Ao alheamento, ao marasmo opinativo, crítico, reflectivo em torno do Algarve, mostrando que esta região tem pensamento e voz. Valerá o que vale, mas para nós é muito.

Não só pelo empenho e carinho emprestado a esta ideia, mas fundamentalmente porque acreditamos que conseguimos criar um fórum de opinião que tem ganho o seu espaço no espaço público regional, conciliando gente de diferentes áreas, formações e ideologias em torno de um princípio comum: o Algarve e o Sul de uma forma geral como espaço de pensamento e debate.

E, de forma imodesta, acreditamos, porque o vemos, tem vindo a conseguir contagiar a região, que hoje, mais do que há 2 anos, se olha, pensa e discute com outro vigor. Poderá não ser ainda o desejável, mas todo o caminho se inicia com o primeiro passo.

Isto importa porque a continuidade deste projecto, contra a espuma dos dias, se deve mais aos leitores que assiduamente fazem do Lugar ao Sul um site com um volume de visitas invulgar para uma plataforma deste género – fora dos grande centros urbanos e longe dos grandes centros de poder – do que aos autores que o realizam todos os dias. É pois devido um grande agradecimento a todos vós que, pelas mais variadas razões, nos vão acompanhando, que nos lêem, que nos elogiam e nos partilham, mas também aquelas que opinando criticam. São todos vós a fasquia que nos ajuda a elevar o debate.

Obrigado. 
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Outro factor que tem contribuído para o sucesso do Lugar ao Sul é a capacidade que tem tido para chamar a si novos protagonistas. Em 2017 uma segunda vaga de “habitantes” assentou arraial neste “Lugar” e duplicou a nossa densidade de opinar. Agora, já com dois anos e uma curta mas importante história, é tempo de dar as boas vindas a uma terceira vaga de novos elementos.

É também tempo de dizer até já a outros, que deixaram de escrever, pelo menos regularmente.

Sem a sua disponibilidade e a sua entrega, este projecto que, recorde-se, nada mais é que um acto de cidadania activa sem qualquer propósito comercial, não seria possível.

Por isso, ao Pedro Pimpão, à Dália Paulo, ao João Fernandes e à Joana Cabrita Martins, o nosso muito obrigado por terem acedido fazer esta viagem connosco. E, sempre que a queiram continuar, as portas deste vosso Lugar ao Sul estarão sempre abertas para vos receber.

Aos novos elementos, damos as boas vindas e dizemos que contamos com eles para continuar a inquietar mentes, agitar águas e criar ideias e novos pensamentos.

Entram em cena a Patrícia de Jesus Palma, a Anabela Afonso, a Luísa Salazar, o Paulo Patrocínio Reis, a Vanessa Nascimento, a Ana Gonçalves, o Dinis Faísca e a Sara Fernandes.

Conheçam um pouco mais sobre todos, carregando aqui. O restante muito que há a descobrir, conhecerão através dos seus textos.

Esta é a nova vida do Lugar ao Sul.

O propósito é o de sempre: um sentido a Sul, contribuindo para o debate e crescimento deste território. 
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Exploração de hidrocarbonetos: uma meia vitória para o Algarve

30/10/2018

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Por Luís Coelho
Ficámos ontem a saber através do Jornal de Negócios que o consórcio ENI/Galp decidiu abdicar da pesquisa e eventual exploração de petróleo ao largo da costa de Aljezur. Esta notícia foi divulgada pelo Presidente da Comissão Executiva da Petrolífera à margem de uma conferência com analistas sobre os resultados do terceiro trimestre.
O Jornal de Negócios refere ainda que na base desta decisão está “a existência de constrangimentos legais que impediam a execução dos trabalhos de perfuração junto à Costa Vicentina.” Dito de outra forma, a decisão tomada em Agosto pelo Tribunal Administrativo e Fiscal de Loulé que suspendeu a licença do consórcio para a prospecção de hidrocarbonetos a cerca de 50 quilómetros da nossa costa ditou que fosse impossível à ENI/GALP concluírem os trabalhos que tinham previsto dentro do prazo máximo possível, i.e., Janeiro do próximo ano.
Serão estas boas notícias para o Algarve? No curto-prazo sim. De facto, parece claro que nos próximos meses não teremos navios de prospecção a operar ao largo de umas das mais emblemáticas costas do Algarve e do Alentejo. No entanto, cá me parece que a história não vai acabar assim. Primeiro porque os gigantes ENI e GALP não estão no negócio para perder dinheiro. Segundo li, em dez anos, estas empresas investiram 76 milhões de euros nesta concessão. É certo que este valor é relativamente diminuto quando o tema é a prospecção de petróleo. Infelizmente, conhecendo a forma como assuntos desta natureza são tratados em Portugal, não me estranharia que em breve fosse anunciado um processo destas firmas contra o Estado a título de compensações indemnizatórias. Por outro lado, notar que o governo anunciou em Maio que não pretende lançar novas concessões até ao fim da legislatura. Ora, nas entrelinhas fica a possibilidade de em 2020 e seguintes poder voltar a haver notícias menos simpáticas sobre o tema em apreço.
Como já escrevi noutras alturas, acredito convictamente na ideia de que o caminho a percorrer pela humanidade deve ser o da descarbonização total da economia no mais curto espaço de tempo possível. Tal será alcançável se caminharmos na procura de uma solução de produção energética através de fontes limpas e renováveis. Neste contexto, o Algarve tem muito a dizer já que é das zonas da europa com maior exposição solar, dispõe de uma linha de costa relativamente grande e boas condições para a produção de energia eólica. Resta-nos pois manter uma vigilância atenta e continuar a trabalhar em conjunto de forma a garantir que a meia vitória de hoje se traduz no ganhar da guerra contra a exploração de hidrocarbonetos em Portugal. Este será um passo importante no sentido dar a melhor herança que podemos pedir para os nossos netos: entregar-lhes um planeta que (ainda) consegue acomodar a vida humana e lhes dá a oportunidade para desfrutar da nossa região tal como nós o fazemos hoje em dia.
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Para que o tiro não saia pela Culatra

26/10/2018

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Por Gonçalo Duarte Gomes

No passado dia 15 de Outubro foi publicada a Portaria n.º 277-B/2018, que reconhece o aglomerado populacional da Culatra, localizado na ilha-barreira da Ria Formosa com o mesmo nome, como núcleo residencial piscatório consolidado.

O reconhecimento desta comunidade piscatória e d, e o seu enquadramento específico no Domínio Público Marítimo, constitui um acto de justiça para aqueles que realmente vivem da e na Ria Formosa, e que fazem activamente parte da riqueza paisagística que origina a classificação de Parque Natural.

Esta regulamentação dá também passos na direcção do saneamento de um paradoxal conflito de ordenamento e gestão territorial que há muito durava: um núcleo considerado ilegal era alvo de investimentos públicos, quer ao nível de infra-estruturas básicas (num valor per capita a que poucos outros locais e habitantes podem aspirar), quer das suas actividades económicas, como atesta o porto de pesca existente naquele local desde há cerca de uma década, entre outros.

No entanto, e por entre o muito que este momento traz de positivo à Ria Formosa, importa agora prestar muita atenção, para que, a reboque deste processo e à custa do esforço da comunidade da Culatra, não exista um aproveitamento indevido por terceiros, em esquemas a lembrar o que se passou na “reabilitação” das “casas” “ardidas” de Pedrógão…
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Fotografia parcial do desenho "LA TOURMENTE", de Amadeo de Souza-Cardoso (1912, tinta-da-china e guache sobre papel)

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Mais divórcios, por favor.

24/10/2018

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Por Bruno Inácio
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Existe em Olhão um restaurante, o Bioco, que utiliza na sua promoção uma frase recorrentemente: Mais Amor Por Favor. Todos sabemos que nas bandas do sul, numa versão muito nossa da visão europeia dos eurocépticos do norte, somos convocados para um modo de vida menos agitado e mais propício ao sentimento maior.

Já pela capital do centralismo, Lisboa, que coitada tem de acolher os que com falta de visão periférica combatem diariamente a descentralização, o amor é mais um sinal do quanto nós algarvios (e o resto do país) somos cada vez mais paisagem e Lisboa é cada vez mais Lisboa. "Descobriram, ao fim de 30 anos, que sou incompatível com a minha mulher", exclamou Pedro Siza Vieira quando confrontado com o facto da sua esposa dirigir a Associação de Hotelaria de Portugal, uma área que o agora ministro da Economia tutela. (Curiosamente não vi nenhum tweet da Fernanda Câncio a se insurgir por esta forma possessiva de um ministro tratar a sua esposa. Devia estar distraída, graças A Deus!). O tom jocoso, muito ao jeito do nosso Primeiro-ministro, que nos vai levando neste embalo do engraçadinho, é neste caso bem conseguido, mas coloca a nu, mais uma vez, um dos problemas estruturais deste País: existe cada vez mais Amor por Lisboa, onde tudo está e onde tudo está cada vez mais, e existe cada vez menos amor pela paisagem, ou seja, por tudo o resto que não é Lisboa. Talvez por isso, uns divórcios (figurativamente falando – fica a ressalva, não vá alguém pensar que desejo o mal matrimonial a alguém!) fizessem bem ao processo de igualdade territorial que o País tanto precisa.

Tome-se o exemplo do Ministro Pedro Siza Vieira porque ele é bem paradigmático do que é hoje a concentração de poder, a todos os níveis, em Lisboa. Pedro Siza Vieira, enquanto Ministro-adjunto terá reunido com a empresa chinesa China Three Gorges (maior accionista da EDP, que entretanto lançou uma OPA sobre a eléctrica), apesar da empresa ser assessorada pela Linklaters, sua antiga sociedade de advogados, onde era managing partner. Os casos não se ficaram por aí. Empresas de áreas tão distintas como a TAP, Fertagus, Metro do Sul, Metro do Porto, ou hospitais do grupo chinês Fosun, são outras que o ministro acabaria por fazer saber que não deveria acompanhar processos ou tomar decisões pois estas haviam sido suas clientes. Hoje como Ministro de Economia, e depois da pasta da energia ter passado para outro ministério (hoje fazem-se ministérios à medida da pessoa quando se deveria escolher pessoas à medida dos ministérios), surge a polémica com a sua esposa (é assim Fernanda Câncio, certo? Obrigado!) que para além de liderar a Associação de Hotelaria de Portugal foi adjunta da presidência do Conselho de Administração da Amorim Turismo e directora-geral do Turismo.

Estão a acompanhar toda esta teia? Efectivamente não é fácil.

Não quero com todo este texto particularizar a questão de Pedro Siza Vieira. Quero antes generalizar uma prática que mostra de forma clara que todo o poder político, económico e social vive e se alimenta em torno da capital. Naturalmente que o Ministro não tem culpa da sua esposa ter sido o que foi ou ser o que é, mas a concentração de poder em todas as áreas é tanta na capital que porventura seria preciso fazer um casting (será que aqueles novos especialistas do amor da SIC não podiam dar uma ajuda!?) para os ministros, secretários de estado, directores gerais, etc. etc. etc. não serem incompatíveis com qualquer pessoa.

Esta oligarquia e este nepotismo, como Miguel Morgado acusava há dias este Governo de ser (mas que não é só deste governo, apesar do acentuado número de casos que o envolvem), tem terreno fértil para crescer e fazer caminho. E quanto mais a teia se adensa maior é a desfaçatez e o descaramento, empurrando cada vez mais os limites para o campo do inaceitável.

O caso recente da legislação aprovada para o alojamento local é um bom exemplo da falta de visão periférica de quem povoa os gabinetes das decisões. Uma lei feita exclusivamente à imagem e necessidade de Lisboa para servir Lisboa. Nem o Porto parece querer avançar para a aplicação das chamadas zonas de contenção. A realidade do turismo existe no Algarve e na Madeira há décadas e estas regiões aprenderam a viver com as suas vicissitudes. Nunca antes houve a preocupação em legislar para acautelar os problemas de habitação de quem vive nestes duas regiões.

Exemplos não faltam. A palavra Algarve é praticamente inexistente na proposta de Orçamento de Estado para 2019, o que seria de estranhar não fosse esse um padrão dos últimos anos, notava, e bem, há dias, o Deputado José Carlos Barros.

Resta-nos procurar dirimir, onde for possível e onde estiver ao nosso alcance, este “monstro” que se auto-sustenta.
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#maisamorporfavor é o que se pede aqueles que têm o dever de gerir um país e não apenas uma metrópole, Mas que tantas vezes se esquecem disso. 
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Efeito arrastamento do turismo: o caso da gastronomia e da enologia

16/10/2018

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Por Luís Coelho
Já várias vezes escrevi neste Lugar ao Sul sobre os problemas que podem advir por termos a nossa economia regional definida em torno do fenómeno turístico. A história hoje é bem diferente
Começa na notícia que o Sul Informação publicou no dia 12 de Outubro relativa à sessão de apresentação dos resultados do projecto Algarve Cooking Vacations. Este resulta de uma parceria entre a Região de Turismo do Algarve e a Tertúlia Algarvia e teve como objectivo detalhar o potencial do turismo culinário e enológico no Algarve. Para além da natural saudação pela virtuosa parceria que se estabeleceu entre o sector público e privado nesta ocasião, é de notar que o estudo realizado mostra que o Algarve possui todos os recursos necessários para colocar a região a competir com o melhor que se faz no mundo neste segmento de mercado.

Boas notícias, claro. Há, no entanto, três ideias adicionais que saem deste estudo e que me parecem ser ainda mais interessantes. Desde logo o facto de se apontar para a possibilidade de se criar toda uma cadeia de valor em torno do turismo culinário e enológico do Algarve. De facto, o estudo revela que as pessoas interessadas neste tipo de experiência pretendem, também, conhecer o nosso vasto património cultural. Assim, à boleia da experiência culinária e enológica aparece a ida ao museu, a compra de artesanato ou a visita à destilaria tradicional onde se produz o medronho, para mencionar apenas alguns exemplos. Esta pode ser a forma de valorizar este tipo de actividades e activos (nobres e tradicionais) que, de outra forma, podem ficar votadas/os ao abandono. A segunda ideia é que este tipo de turismo democratiza o impacto territorial do turismo e pode ajudar no combate à sazonalidade. Por outras palavras, é perfeitamente possível (e desejável) ter este tipo de oferta fora dos concelhos do litoral do Algarve, criando uma economia ligada ao turismo onde esta tipicamente não existe. Ao mesmo tempo, em face da riqueza gastronómica da região, este turismo pode desenvolver-se ao longo de todo o ano, facto que o torna interessante para gerar procura no Algarve nos meses em que o sol não brilha com tanta intensidade e a temperatura da água do mar não convida a banhos. Finalmente, o estudo revela também que esta é uma procura mais qualificada, i.e., que se mostra disponível para pagar um preço mais elevado por experienciar algo único e verdadeiramente ímpar no mundo. Este aspecto não é um pormenor: ajuda a colocar o Algarve no segmento médio-alto em que, penso, este se deve posicionar.

Em 2015 a Ordem dos Economistas lançou um estudo sobre a nossa economia regional no qual se alertava para a necessidade de maximizar o efeito arrastamento do turismo. Na eventualidade deste desiderato se materializar, teremos a capacidade de aumentar a riqueza criada (e retida) no Algarve, qualificando mais os sectores tradicionais ao mesmo tempo que se reforça a nossa identidade singular enquanto destino. É pois com especial entusiasmo que recebo os resultados do Algarve Cooking Vacations. Mais feliz fico por ver a iniciativa privada a utilizar este conhecimento para desenhar soluções de negócio que exploram esta oportunidade. Em particular, pelo que veio a lume na notícia de dia 12 de Outubro, a Tertúlia Algarvia prepara-se para comercializar dois pacotes de curta duração que envolvem visitas a Monchique, à adega da Tôr, a mercados variados, e envolve ainda aulas de culinária e outras actividades.
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Que venham pois mais ideias desta natureza, bem pensadas e bem articuladas entre os diversos actores da Região, de forma a melhor colocar o Algarve no mapa internacional do turismo gastronómico e enológico.
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ÁREAS DE ACOLHIMENTO EMPRESARIAL. Que estratégia para o Algarve?

13/10/2018

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Por Hugo Barros
As áreas de acolhimento empresarial configuram uma ferramenta fundamental para a capacidade de atração de empresas e projetos industriais, colocando à disposição de empresários e investidores, soluções de localização devidamente enquadradas em termos de Plano Diretor Municipal (PDM), bem como (na maior parte dos casos) em termos de impacto ambiental e demais projetos técnicos (águas, esgotos, etc…). Efetivamente, mais que um ativo diferenciador na capacidade de atração de investimento, consubstanciam uma estratégia municipal (e regional) de gestão dos espaços públicos e de promoção da atividade económica.

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Algarve: epílogo ou prólogo?

12/10/2018

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Por Gonçalo Duarte Gomes

A exposição “50 Livros, 50 Algarves”, que daqui a pouco vai estar em discussão na FNAC do Forum Algarve, é um desafio à leitura.

Não apenas à leitura literária literal – a aliteração redundante é propositada – mas à leitura figurativa, imaginária, poética, de um Algarve patrimonial que foi expresso (e impresso) em palavras, no caso dispersas por 50 obras seleccionadas.

No actual momento do Algarve, marcará esta exposição um epílogo ou um prólogo?

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Europe’s Last Sunset! Everyday!

2/10/2018

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Por Luísa Salazar.

The Algarve is definitely one of the most beautiful places on Earth. However, for a long time, people didn’t even know that Portugal existed and of course the Algarve even less…

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In the last couple of years the number of tourists increased substantially and the numbers of incoming tourist really reflect that! These are no longer just from the so called traditional markets, such as the UK, Ireland, Germany and the Netherlands. Some come from very far…
This year, I had the opportunity to travel to one of our major competitors in terms of holiday destination – Santorini in Greece. Santorini is in everyone’s top of mind when it comes to romantic destinations. It is indeed a very beautiful holiday spot in Europe and I can image that, in this particular moment, a lot of Europeans dream to travel once to Santorini.

I can confirm that it is in fact a very nice place, and the Greeks promote the Santorini Oia’s Sunset as the “most beautiful Sunset on Earth”. People travel from all over the world just to see Oia’s Sunset! When you are on the spot, you can see hundreds and hundreds of tourists (mainly from Asia) queuing in all the tiny narrow streets, just to see the “most beautiful” sunset in the world… Really?

Most of these tourists travel more than 15 hours in a plain just to go to Santorini. They go there for holidays, weddings, winter holidays, etc. Again, really? These tourist don’t know the Algarve that is for sure! Otherwise, they would not even consider going there! I was so surprised by all this but I get it! They’ve never been to the Algarve and they do not know what we have.

The experience I had made me think: Why not promote our Algarve’ Sunset? We promote the beach, the landscape, the food, the weather, the people, but why not the Sunset and Algarve’s Blue Sky?

It is so easy to take things for granted. What is already normal for us, it is not for others. The fact is that there is something really special and unique about our Sunset: blue sky going down to different colours such as pink, violet, yellow, white and also different shades of blue. All very normal to us, but definitely not for the tourists!

So why not promote the Algarve and start a new campaign with a striking slogan:
“The last and most colourful Sunset in Europe! Everyday!”
Enjoy!
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2 anos neste Lugar

1/10/2018

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Por Lugar ao Sul

O Lugar ao Sul completa hoje 2 anos de existência.


São 2 anos a tentar contribuir para uma reflexão crítica em torno do Algarve, das suas dinâmicas, dos seus problemas, do seu tremendo potencial, de tudo o que permita a construção do seu futuro, em moldes de maior prosperidade, equilíbrio e, acima de tudo, felicidade para todos os que aqui vivem, trabalham e nos visitam.

Este esforço nem sempre é fácil, e nem sempre o conseguimos.

Mas não paramos. Nem desistimos.

E porque não há 2 sem 3, iniciamos este novo ano preparando novidades que em breve serão partilhadas.

Entretanto, boas leituras!
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Turistas, “vaiam” para casa! Ou Feliz Dia Mundial do Turismo.

28/9/2018

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Por Gonçalo Duarte Gomes

​Feliz Dia Mundial do Turismo!

Não, não me enganei no dia, sei que a efeméride foi, na verdade, ontem.

Mas, uma vez que o turismo no Algarve continua, apesar de tudo, atrasado, parece-me mais apropriada uma comemoração no dia seguinte…
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Barcelona

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SOS: quem salva o SNS?

25/9/2018

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Por Sara Luz

Aprecio seriamente que a saúde, educação, justiça e segurança sirvam de pilares ao bem comum em Portugal e, por isso, prezo bastante o facto de viver num Estado Social. Não quero com isto dizer que a existência de instituições do setor privado nas áreas setoriais referidas, como acontece na saúde, me incomode particularmente, mas no que concerne à sua integração com instituições do setor público não posso dizer o mesmo. Dito isto, depreende-se facilmente que a proposta de uma reforma estrutural da saúde assente nesse preceito é de difícil digestão.

Uma proposta em que o indivíduo possa escolher entre cuidados de saúde prestados pelo setor público ou privado, com um Estado mais pagador, denota claramente a pretensão de décadas em privatizar o setor da saúde em Portugal e interferir no bem-estar social. Não existe qualquer intenção em melhorar, transformar ou reinventar o Serviço Nacional de Saúde (SNS), mas antes de sentenciá-lo à morte. É verdade que a atual crise existente no SNS não abona a seu favor, mas considerar que a integração dos setores público e privado dão azo a indivíduos todos iguais à partida é uma ilusão que a mim não me convence.

As mais-valias das instituições de saúde privadas em Portugal são tão e somente permitir às pessoas que o desejem usufruírem de cuidados de saúde diferenciados, com rapidez e conforto, financeiramente suportados por si. Não se pode é querer que esse legítimo exercício de liberdade de escolha seja feito à custa do Estado (i.e., contribuintes). Faz algum sentido que um setor que não tem preocupações relacionadas com a saúde pública (e.g., impacto do envelhecimento da população e da elevada incidência de doenças crónicas, riscos e/ou complicações associados a partos por cesariana) e que não tem qualquer interesse que o SNS esteja reforçado de capital humano competente, que realize investimentos em equipamentos, terapêuticas e tecnologias inovadoras ou que cumpra os tempos máximos de resposta garantidos, ande à bengala do Estado?

Se o insucesso do SNS é equivalente ao sucesso do setor privado da saúde, porque se continua a chamar de complementar um sistema que se assume como seu concorrente?

Com que legitimidade o PSD propõe uma reforma estrutural da saúde de teor supracitado com um elemento do grupo de trabalho ligado ao maior grupo privado de saúde do país?

Quem é que “apertou os calos” ao atual Ministro da Saúde quanto à sua intenção em travar a saída dos médicos do setor público da saúde para o setor privado a custo zero (https://sol.sapo.pt/artigo/581649/jovens-medicos-vao-ter-de-pagar-para-trocarem-sns-pelo-privado), para o então agora discurso de liberdades (https://www.rtp.pt/play/p4258/e365563/grande-entrevista; a partir do minuto 35´)?

Quando se responsabilizam Governos por permitirem que o SNS se divida em “SNS bom” e “SNS mau”?

Quais são as verdadeiras motivações para se continuar a alimentar o setor privado da saúde em Portugal?
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E, finalmente, para quando propostas de melhoria (ou salvação!) do SNS em que, de uma vez por todas, se separem as águas? 
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O ESTADO CONFISCADOR

18/9/2018

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 O Lugar ao Sul conta hoje com a opinião de um convidado muito especial. O Doutor João Vidal é um reputado advogado da praça Algarvia com quem tenho o prazer de trabalhar na Faculdade de Economia da Universidade do Algarve. Profundo conhecedor da região e dos seus problemas, o João é também um comunicador nato e um estudioso de várias matérias. Dotado de um pensamento crítico muito vincado, expressa sempre de forma clara as suas ideias. É pois material de "Lugar ao Sul". Pena ser lampião...
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Por João Vidal

O Estado somos todos nós! Eis uma máxima repetida até à exaustão por todos. Esta asserção encerra duas grandes dimensões: a de que cada um de nós faz parte e constitui uma entidade superior a si, cabendo-lhe a obrigação de para ela contribuir; e a de que todos e cada um de nós espera dessa entidade uma qualquer forma de retorno. Tudo com justiça e equilíbrio, acrescentaria… Sem me enredar no complexo conceito de justiça, discutido há milénios, parece-me razoável que olhemos para a justiça, aqui e agora, como o esforço que é pedido a cada cidadão e o nível de sacrifício que cada cidadão sofre para suportar esse esforço. Se for justo e equilibrado esse nível de sacrifício, quer absoluta, quer relativamente, teremos um Estado próspero em que os cidadãos se empenham por superar-se e, com essa superação, enriquecem o Estado de que são parte. Se não, todo o edifício desmorona…
Neste momento, pensa provavelmente o leitor que o autor deste escrito, talvez enredado nalgum estranho problema de ciência política por resolver, perdeu o sentido das coisas e escreve por mero e fútil exercício de escrita. Infelizmente, não é assim.

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Aquela coisa do património, ou lá o que é…

14/9/2018

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Por Gonçalo Duarte Gomes

O escritor francês Olivier Clerc formalizou em tempos uma fábula científica que nos conta a história de uma rã num recipiente com água que, feliz e contente, não se apercebeu que esse banho estava a ser aquecido aos poucos, uma vez que o seu organismo desencadeou um processo inconsciente de ajuste gradual, regulando a sua temperatura corporal.

No momento em que a água atingiu o ponto de ebulição, o organismo da rã deixou de conseguir adaptar-se à temperatura, e alertou o seu consciente, lançando a ideia de que talvez não fosse má altura para saltar fora do jacuzzi.

No entanto, não sobravam já à rã forças para saltar, uma vez que tinha despendido toda a sua energia no processo de adaptação térmica. Assim, o batráquio viu-se condenado a morrer. Cozido.

Esta fábula é alegadamente baseada numa experiência da Física, que postula que se a velocidade de aquecimento da temperatura da água for inferior a 0,02ºC/minuto, a rã fica quieta e morre ao final da cocção. Em presença de velocidades de aquecimento superiores, a rã salta e escapa.

A filosofia debruça-se sobre esta questão de uma outra forma, colocando uma pergunta chata: foi efectivamente a água a ferver que matou a rã, ou foi a sua incapacidade de alertar o consciente, em tempo útil para tomar a decisão de saltar e salvar-se?

Assim estamos nós no processo de degradação patrimonial que o Algarve atravessa. O que nos está a corroer a identidade: quem destrói activamenteo seu substrato, ou a nossa incapacidade de tomada de consciência e de iniciativa para a oposição a tal atentado?
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Emigremos, pois.

4/9/2018

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Por Luís Coelho

Estou cada vez mais convencido de que o Lugar ao Sul é lido pelas mais altas instâncias deste País.

De facto, não são poucas as vezes que noto uma reacção do poder central a escritos que publicamos no nosso singelo espaço de reflexão virado para o mundo.

O último exemplo prende-se com a questão demográfica e a reposta de Costa ao nosso “chamamento”. 
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Neste Algarve que agora se eclipsa…

31/8/2018

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Por Gonçalo Duarte Gomes

Chegando Agosto ao fim, o Algarve suspira, de paradoxal alívio.

As redes sociais inundam-se de memes, celebrando a debandada generalizada da enxurrada de gente que neste dia de simbólica “despedida do Verão” costumeiramente se dá, e que entretanto alimentou, como em nenhuma outra época do ano, a única coisa que há para fazer por aqui.

A grande chatice é que, esgotada a utilidade balnear, é tempo do Algarve regressar ao seu normal estado de eclipse.

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Apesar de tudo… OBRIGADO CHUA!

25/8/2018

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Por Hugo Barros
Começo por salientar que de forma alguma sou, ou pretendo ser (ou até parecer) um especialista na gestão de unidades de saúde ou na definição de politicas de saúde. Neste campo, tenho a sorte de ser acompanhado neste fórum, por pessoas muitíssimo mais competentes e experientes no tema.Sou sim, feliz e infelizmente, um cliente (desculpem-me os que preferem a nomenclatura de Utente, mas eufemismos à parte, considero-me um cliente, pelo que me continuarei a apresentar como tal) do Sistema Nacional de Saúde e da rede de Unidades de Saúde Privadas.

Digo feliz e infelizmente porque muito embora a permanente conotação negativa da visita ao hospital, gosto de recordar que alguns dos momentos mais felizes, gratificantes e enriquecedores das nossas vidas acontecem nas unidades de saúde, independentemente se pública ou privada. Penso que não será necessário justificar a afirmação supra a qualquer pessoa que assiste à recuperação de um familiar ou amigo, após um acidente ou doença, ou a qualquer pai que dá entrada no hospital em pânico, para sair dias depois extasiado e nervoso, convicto de que independentemente da fila e dos assobios na estrada, o caminho de volta a casa, com o carro mais cheio, será feito a uma média de 20 quilómetros por hora.
Não querendo entrar numa discussão mais aprofundada sobre o tema, permito-me também clarificar que sou um claro defensor do Sistema Nacional de Saúde, e da necessidade de existência de uma eficiente e eficaz rede de Hospitais Públicos, suportados por uma rede de centros de saúde que permitam um acompanhamento preventivo mais eficaz. Penso que se existe uma característica que nos deve diferenciar enquanto pais desenvolvido (juntamente com a educação e a justiça), será seguramente a qualidade e capacidade de resposta do Sistema de Saúde. Complementarmente (e penso que não antagonicamente), sou um defensor (e cliente) da existência de uma rede de hospitais privados, complementando e diferenciado a oferta publica.

Finalmente, dizer apenas que, recorrendo a um chavão popular, falar é fácil. Isto é dizer, criticar é fácil. Sou capaz de me identificar em menos de 1 minuto, 20 criticas individuais. Se por um lado será fácil porque me deveria conhecer bem, por outro será claro que possivelmente não serei a pessoa mais isenta para me autocriticar. Isto para dizer que mais importante que identificar erros e incorreções (muitas vezes numa análise enviesada porque não detemos todos os factos), considero que igualmente (senão mais) importante é procurar identificar pontos de valorização.

Neste sentido, enquanto cliente, e por uma multiplicidade de razões, tive oportunidade (diga-se necessidade) de transitar nas ultimas semanas por uma miríade de entidades de saúde da região do Algarve. Desde diferentes Hospitais Privados, a centros de saúde, culminando no Centro Hospitalar Universitário do Algarve (CHUA), mais concretamente no nosso conhecido Hospital de Faro.

Desta forma, das possíveis considerações pessoais na qualidade de cliente, e muito embora o possível enviesamento da análise (permitida por não ser especialista), salientaria dois pontos fulcrais – INFRAESTRUTURA e PESSOAL, sobre as quais penso que importa debater.

Ao nível da INFRAESTRUTURA, independentemente de considerações ou justificações político-partidárias, penso que dificilmente será possível encontrar (se existir, por favor contribua para a discussão) quem discorde do enorme gap qualitativo no que respeita às condições dos edifícios, espaços comuns, equipamentos ou mesmo envolvente externa, entre as entidades públicas e privadas. Muito embora este ponto possa parecer insignificante, penso que o mesmo contribui de forma significativa para a qualificação do setor. Que me desculpem os mais conhecedores, mas enquanto cliente, não posso deixar de pensar que caso as entidades publicas fossem alvo de auditorias como as entidades privadas, muitas delas deixariam de ser acreditadas. Enquanto cliente, parece-me claro o desinvestimento continuo das entidades responsáveis na manutenção e requalificação dos espaços de saúde publica. Aponto questões mínimas como espaços comuns, acesso a estacionamento para grávidas e deficientes, qualidade das áreas de espera e áreas de triagem, salas de atendimento, insuficiência de materiais, entre tantas outras. Muito embora a eventual inexistência de fundamento, acabamos de não poder deixar de nos sentir como diz a sabedoria popular, que em qualquer visita ao hospital publico, “entramos com um pé partido e saímos com uma gripe”. Neste ponto, ambiciono um serviço publico de saúde renovado e alvo de reinvestimento, oferecendo um serviço mais qualificado ao cliente (utente, e contribuinte) local, potenciador de uma imagem de referencia global.
Complementarmente, numa ligação ao setor turístico, que (particularmente) neste período tutela as dinâmicas regionais, gostaria de ver que a posição que o turismo Algarvio detém atualmente a nível internacional, se possa manter, não apenas pela qualidade da hotelaria e serviços anexos, mas também pelo reconhecimento da qualidade e eficiência do serviço de saúde regional, nomeadamente ao nível do sistema público. Para além da inequívoca necessidade de resposta às lacunas regionais de saúde e ao bem-estar dos residentes, este é um fator preponderante na competitividade da marca ALGARVE no que ao turismo diz respeito.
 
Ao nível do PESSOAL, muito embora a diferença ao nível da média de idades (reforçando a inexistente politica de reinvestimento), e enquanto cliente, permito-me salientar a qualidade e excelência dos técnicos do sistema de saúde, desde o auxiliar de ação médica ao cirurgião. São eles a base de toda a estrutura e serviço ao cliente, e quem ouve e dá a cara a toda e qualquer critica, fundamentada ou não.
Como qualquer gestor (publico ou privado) dirá, uns por convicção outros por obrigação, o recurso mais importante de qualquer instituição são as suas pessoas.
No caso do Hospital Publico, todos temos acompanhado (e desesperado com) as sucessivas greves, exigências, promessas, e reviravoltas, quer ao nível da promessa do novo Hospital Distrital, como da progressão dos técnicos, do reinvestimento em equipamento, do reforço e rejuvenescimento dos recursos humanos, (não apenas nas épocas turísticas, porque no Algarve existe vida 365 dias), do reforço de especialidades, entre tantas outras.
Igualmente, penso que não será necessário justificar ou explanar sobre a inexistência ou existência de parcas políticas de formação contínua dos técnicos do setor público, atrofiando a inovação e a melhoria dos serviços.


Não obstante, muito embora plenamente satisfeito com as condições do sistema privado de saúde, recorrendo sempre que necessário e com uma boa avaliação do mesmo, continuo a ser um fiel cliente do sistema público, pelo menos para aquilo que é importante.
Isto APENAS É POSSIVEL PELA QUALIDADE, DEDICAÇÃO, SIMPATIA, e CAROLICE dos profissionais que integram o Sistema Nacional de Saúde.
Bem hajam!


Apesar de todas as criticas, limitações, imposições e constrangimentos, estes configuram a base do sistema regional de saúde e a primeira defesa do verdadeiro utente neste Lugar ao Sul.

Permito-me imaginar o que poderiam estas pessoas fazer, caso lhes fossem disponibilizados os recursos e ferramentas adequadas ao cumprimento da sua atividade.

Enquanto cliente, a todos eles o MUITO OBRIGADO!
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Dizer sim à exploração de petróleo no Algarve

21/8/2018

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Por Luís Coelho

Imagino que seja isto que Costa e sus muchachos esperam que acabemos por fazer. Expectativa essa que é totalmente legítima. Vejamos.

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Monchique, ou a excepcionalidade do sucesso

17/8/2018

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Por Gonçalo Duarte Gomes

Imagine-se um carro, que circula numa estrada em excesso de velocidade.

Quem deve ser multado?

O aspirante a Fittipaldi que conduz o veículo e o leva a circular àquela velocidade, ou o próprio veículo?

Por surreal que possa parecer a pergunta, a verdade é que, no caso do apuramento das causas do incêndio de Monchique, a discussão tem-se aproximado destes termos...

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Área de matos ardida, nas imediações de Enxerim, concelho de Silves - 10 Agosto 2018

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Deixa arder monchiqueiro...

16/8/2018

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Por Sara Luz

Deixa arder monchiqueiro… deixa arder o que levaste uma vida a construir. O teu ganha-pão. O património que um dia sonhaste deixar aos teus filhos. Livra-te das memórias das paredes que ergueste, das árvores que plantaste, da cortiça que retiraste, das colmeias que construíste e do medronho que apanhaste.

Deixa arder monchiqueiro… deixa arder o meio rural que vive e depende de ti. Não interessa se és útil e capaz, inibe essa vontade em salvar esse deserto que só existe graças a ti. Não te concentres em quem leva as culpas ou em quem envia desculpas, pois interesses há muitos e como sabes não são controlados por ti.

Deixa arder monchiqueiro… deixa arder porque estás num país de gente séria. Nesta hora de desgraça, jamais alguém se aproveitará de ti. Não lamentes não seres Californiano, porque a seu tempo o planeamento e a intervenção chegarão a ti e, quiçá, um dia passarás de exceção a sucesso!

Deixa arder monchiqueiro… deixa arder porque ainda que nada te reste, é “absolutamente extraordinário” estares vivo. Agora que sobreviveste encontra um sentido para a vida que… já não existe!
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“Sou algarvio
​e a minha rua tem o mar ao fundo”
 

​(António Pereira, Poeta Algarvio)

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