Por Sara FernandesÉ certo e sabido que o nosso país está a cavar um fosso cada vez maior no que diz respeito ao acesso à habitação entre faixas etárias e classes sociais. Esta problemática verifica-se tanto nas grandes áreas metropolitanas como em espaço rural. Em conversa com alguns responsáveis pelo poder local no interior do Algarve, ficamos surpreendidos pela procura regular por parte de jovens famílias que desejam mudar de vida ou regressar às suas raízes. Mas infelizmente, não há sequer oferta para a procura existente. Dado o número esmagador de casas devolutas pelas nossas cidades, vilas e aldeias, é caso para dizer: o que se passa afinal? O que é que está a falhar neste processo? Não seria de esperar que quando um serviço ou produto tem muita procura, houvesse um esforço para criar a oferta do mesmo? Afinal de contas, não é assim que o mercado funciona? Poderíamos justificar esta situação através de diversas variáveis como: a dificuldade de identificação e localização dos proprietários; os longos processos de partilhas dos imóveis entre herdeiros; a “sobrevalorização” dos preços das casas; e a pressão exercida pela proliferação do negócio dos alojamentos locais. Contudo, considero que há mais condicionantes que também densificam esta problemática, tais como: o desinteresse e a desinformação dos proprietários. Talvez haja esperança para a reversão do processo de abandono do interior, através da acção directa dos municípios no território e junto dos proprietários no sentido de os sensibilizar e apoiar na disponibilização das suas habitações para venda ou arrendamento, e por fim o compromisso das jovens famílias numa nova realidade para a sua vida. Felizmente, há bons exemplos liderados por alguns municípios do nosso país, nomeadamente em Beja e Alcoutim. O município de Beja vai criar 16 fogos para jovens casais até aos 40 anos, com contratos com duração de 5 anos e um valor de renda que rondará os 150 e os 250 euros/mês. Por sua vez, a Câmara Municipal de Alcoutim vai construir um edifício multifamiliar na vila com cinco fogos habitacionais nos próximos 2 anos; e vai avançar também com um loteamento na aldeia de Martim Longo. No entanto, o nosso Primeiro-Ministro, António Costa, faz referência também à urgência de “travar a perda demográfica” portuguesa através da criação de uma “nova geração” de políticas e incentivos à habitação e à família para que "os jovens sintam que têm em Portugal a oportunidade de se realizarem plenamente do ponto de vista pessoal e profissional.” Vamos então acreditar que estes incentivos se irão traduzir em acções eficazes a curto prazo que possam proporcionar as condições necessárias e favoráveis ao nascimento de várias histórias de “amor e uma ruína” reabilitada em espaço rural para as nossas jovens famílias.
2 Comments
Susana Costa
11/1/2019 23:22:11
Parabéns pelo texto, um tema muito interessante.
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Sara Fernandes
17/1/2019 22:36:25
Partilho a mesma esperança!
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